The Music Diaries, 41ª edição, ESPECIAL DE FIM DE ANO – Não reproduza sem os creditos
Leia a primeira e a segunda parte
Stefan deveria estar acostumado com a rapidez que o tempo passa para os vampiros – ele tem vivido isso há um longo tempo. Mas ali estava ele, sentado de frente com o Papai Noel, ao lado de uma enorme e aconchegante lareira.
Patético.
Uma semana havia se passado desde o dia que tentou (sem sucesso) conseguir agradecer seu irmão e falar com sua ex-namorada. E embora ele soubesse que não tinha feito o que havia lhe sido pedido, tinha as esperanças de que o Papai Noel lhe entregasse a chave dos caixões de Klaus, afinal Papai Noel só deveria trabalhar no Natal, certo? Mas agora já era a manhã da véspera do Ano Novo e ali estavam os dois, travando uma batalha visual que poucos entenderiam.
Ele precisava de um plano. Mas, incrivelmente, nada suficientemente bom lhe vinha à cabeça.
Stefan já tinha desistido de implorar e ameaçar o bom velhinho para ter sua chave de volta. Nada funcionava. Ele continuava firme na decisão de apenas entregá-la ao vampiro quando ele fizesse o que deveria ser feito.
- Não me olhe desse jeito, filho – O senhor de barbas extremamente brancas e aparentemente macias pronunciou em um tom cansado – Nada nessa vida nos vem com facilidade.
Stefan bufou. Passou sete dias ouvindo lições de moral, sobre como o reconhecimento das atitudes dos outros é importante, principalmente quando a família está envolvida no caso e blábláblá. Tinha conseguido escapar há alguns dias atrás para se alimentar, mas não foi o suficiente. Ainda sentia sede, e isso o deixava um tanto quanto irritadiço. Pensou em fugir, voltar para Mystic Falls ou ir para qualquer outro lugar, mas sabia que um certo animal de nariz avermelhado o seguiria e o traria de volta. Já perdera as contas de quantas vezes alterou o tom de voz com o Papai Noel. Tentava manter-se em silêncio, então, para o bem de todos, incluindo aquela Rena estúpida.
Silêncio esse que foi substituído por uma música que parecia vir de lugar nenhum, mas ainda assim, insistia em se fazer ouvir.
Não fique triste
Não é tão ruim assim, e você sabe.
É apenas mais uma noite
Não é a primeira
E não é a pior, e você sabe.
Nós passamos por todo o resto
Nós vamos passar por isso também.Nós cometemos erros,
Mas nós fizemos bons amigos, também.
Se lembra de todas as noites que passamos com eles?
E todos os nossos planos
Quem disse que eles não podem se tornar verdade?
Essa noite é mais uma chance de começar tudo de novo.É apenas outra véspera de Ano Novo,
Outra noite como todas as outras
É apenas outra véspera de Ano Novo,
Vamos fazer com que ela seja a melhor.-It’s Just Another New Year’s Eve do Barry Millow?– Stefan estranhou sua própria voz; havia um misto de coisas impregnadas ali que nem ele mesmo conseguia definir.
O velho senhor soltou uma risada gutural e respirou fundo, inclinou-se ligeiramente para frente, apenas o suficiente para capturar os olhos de Stefan.
- Não é sobre quem canta essa música, meu jovem. É sobre qual é a mensagem que ela transmite. – Papai Noel continuou olhando dentro dos olhos de Stefan, e quase conseguia vê-lo travando uma batalha interna enquanto as engrenagens de seu cérebro pareciam funcionar a todo vapor. – Você sabe o que fazer, Stefan. E no fundo, bem no fundo, você sabe que você quer fazer isso.
Foi a vez de Stefan soltar uma risada, mas dessa vez tinha um leve tom de deboche e incredulidade.
- Vamos relembrar uma coisa aqui: Eu sou um vampiro. Um novo vampiro. Eu não sou quem eu costumava ser a alguns anos atrás e graças à isso, essa sua Rena estúpida ainda está viva e respirando por aí. Eu passei tantos anos ouvindo Damon dizer que ele ‘havia desligado seus sentimentos’ e eu nunca entendi direito muita coisa sobre isso. Mas agora eu entendo – Stefan despejou tudo de uma vez, de modo entediado, como se estivesse contando a história da Branca de Neve para a mesma garotinha pela milésima vez. – Eu entendo. E eu desliguei os meus. Fim de papo. Agora me dê a chave.
- Tudo bem mentir para mim, meu filho. Mas acho errado mentir para si mesmo. Vá lá fora, caminhe. Siga a trilha que você sabe que quer seguir. Quando a coisa certa estiver feita, você achará a chave.
Stefan nem ao menos tentou hesitar; levantou-se com a destreza digna de sua natureza e sentiu seus músculos relaxarem pouco a pouco, à medida que o vento frio chicoteava contra seu rosto.
Depois de certo tempo, parou. Esteve correndo a toda velocidade durante tanto tempo e sem prestar a mínima atenção no caminho, que surpreendeu-se ao ver onde estava. Ele conhecia aquele lugar. Conhecia extremamente bem.
Mystic Falls. Sua antiga casa.
Foi parar ali automaticamente.Conseguiu reparar que as luzes do andar de cima estavam acesas, mas seus pés pareciam estar presos no chão, com pregos. Ficou parado, sem fazer um único barulho. Ficou apenas olhando. Conseguia ouvir algo se mexendo dentro da mansão; Damon, pensou.
Pela qüinquagésima vez no dia, respirou fundo. Ali, no silêncio que o cercava, ainda conseguia ouvir a música ecoando nos cantos de sua mente. Flashbacks de festas de finais de ano que passara ao lado de sua família em seus anos como humano invadiram sua mente sem ao menos pedir permissão. Estranho. Elas não deveriam estão tão vivas e em cores assim.
Lembrou-se involuntariamente de quando dois jovens irmãos brincavam ao redor da mesa da ceia de Ano Novo. Ele e Damon costumavam se divertir naquela época. Era legal.- Brincando de ser estátua-viva, irmãozinho? – Damon pronunciou, e instantaneamente tirou Stefan de seus devaneios, fazendo-o olhar para cima e vê-lo de braços cruzados perto da janela.
Num átimo de segundo, Stefan estava frente a frente com o irmão, que não havia se movido um milímetro sequer.
- Olha só quem resolveu aparecer de novo para dar o ar da graça nessa época tão feliz do ano – Damon mantinha um sorriso brincalhão no canto na boca. Típico.
Stefan não falou nada. Ficou encarando o irmão com os olhos tão afiados quanto uma adaga, ainda travando duras batalhas em seu cérebro. O velho tinha razão, ele sabia que devia fazer isso. Mas o susto só o dominou quando ele percebeu que queria fazer isso. Mas ao contrário do que muita gente diz por aí, querer nem sempre é poder. Havia algo que tornava tudo mais difícil para Stefan. Algo chamado Orgulho.
Durante os segundos de silêncio, Stefan pôde ouvir barulhos vindo, aparentemente, do andar de baixo.
- Tem alguém aqui? – Ele perguntou para Damon, intrigado. Não esperava que tivesse mais alguém na casa. Isso só tornava sua tarefa mais difícil ainda.
- Ora, Stefan. Acha mesmo que eu passaria o Réveillon sozinho, justo agora que você está longe? – Damon ergueu apenas uma de suas sobrancelhas, esperando que Stefan entendesse o recado.
E ele entendeu. Era ela. Elena estava ali.
Óbvio que estaria. Xingou-se mentalmente por não ter pensado nisso antes. Com quem mais Elena passaria o Réveillon a não ser com Damon? Ela tinha Jeremy e Alaric, claro, mas os dois também eram amiguinhos de Damon.
Droga. Seus planos foram triplamente complicados.
Antes de conseguir ter qualquer reação, como sair correndo ou socar o punho na cara do irmão, Stefan viu a figura magra e delicada parada na porta, encarando a cena com certo ceticismo.
- Stefan? – Sua voz reverberou entre o quarto de Damon, atingindo os ouvidos de Stefan com tamanha doçura que por um momento o fez lembrar dos bons tempos que os dois tiveram juntos.
Stefan sabia que era sua vez de falar. Ele sentia o peso do olhar dos dois – Damon e Elena – sobre si. Mas ele simplesmente não conseguia.
Tinha tanta coisa passando por sua cabeça naquele momento, que o simples ato de abrir a boca de repente lhe pareceu extremamente perigoso. E, em questão de segundos, em meio a tantos pensamentos e idéias e ponderações, finalmente decidiu o que iria fazer naquela noite.Ele estava determinado. E, embora soubesse que teria que lidar com as conseqüências de seus atos sozinho depois, ele simplesmente não se importava.
Ele faria. Estava decidido.
Autoria de Juliana Marrão e Fernanda Schein.
Fiquem ligados no site para lerem a parte final do especial de Fim de Ano do The Music Diaries.
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